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Témoignage
Samedi, 17 Avril 2010 10:50
Le texte co-écrit en portugais par Lara Aleluia & Maria Helena Novais a été traduit en français

 

Gostaríamos de aproveitar este meio para deixar testemunho, enquanto portuguesas a habitar no Grão-ducado do Luxemburgo há cerca de 3 anos...

Permettez-nous de profiter de cette tribune pour témoigner en tant que citoyennes portugaises résidant depuis 3 années au Grand-Duché du Luxembourg...

 

 

Gostaríamos de aproveitar este meio para deixar testemunho, enquanto portuguesas a habitar no Grão-ducado do Luxemburgo há cerca de 3 anos. conhecimento através dum colega de trabalho (Sylvain, vice-presidente da associação) do facto de que em França junto da fronteira com o Luxemburgo se procedia regularmente à incineração ilegal de resíduos sólidos e estes eram também despejados na natureza em vez de serem transportados para as lixeiras onde teriam um tratamento apropriado.

Ficámos bastante surpreendidas e mesmo chocadas quando tomámos conhecimento destes factos, especialmente porque em Portugal ainda existe o preconceito que países como França e Luxemburgo são mais avançados em quase todos os aspectos e que representam um exemplo a seguir. Infelizmente este não parece ser o caso, pois a legislação (que proíbe a incineração ao ar livre de todos os tipos de resíduos) não é cumprida por parte da população residente na área e provavelmente também de zonas limítrofes e mesmo do lado luxemburguês da fronteira, que se encaminham para a zona para incinerarem aí os seus resíduos.

Entristeceu-nos o facto de, aquando de um passeio pela zona termos deparado com zonas onde se viam marcas de terem sido feitas incinerações ao ar livre de resíduos e através do contacto com membros da associação termos percebido que este era um problema bastante recorrente, com todas as consequências a nível de saúde pública (notavelmente descritas e explicadas no artigo “Incinération et risques associés”) que daí podem advir a curto ou longo prazo. Para além disso, ainda se viam alguns resíduos, como electrodomésticos... nas zonas mais inacessíveis, pois estes já tinham sido removidos das zonas mais próximas dos caminhos aquando duma operação de limpeza organizada com o apoio da população local.

O que nos chocou mais foi o aparente desinteresse e inércia por parte das autoridades locais, pois quando os habitantes tomaram a iniciativa de se organizarem para lutar contra estas práticas já tinham passado pelo menos 2 anos desde o seu início, sem que as autoridades locaise se manifestassem para avisar ou punir os infractores.

O problema dos resíduos está longe de poder ser declarado como “resolvido”, apesar de muito se ter já feito a nível europeu em relação a esta problemática. Cada Estado-membro adoptou as suas políticas sendo que todos devem cumprir os objectivos em relação às metas europeias. Estes devem passar sempre pelas autoridades competentes e responsáveis, normalmente em portugal a nível autárquico ou regional. Os resíduos podem ser reutilisáveis, recicláveis, valorisáveis ou, em última opção, neutralizados e “eliminados”. De qualquer forma, a recolha destes não é, de forma nenhuma, uma questão fácil, pois depende acima de tudo dos cidadãos, dos seus valores e mentalidade e a fiscalização do cumprimento das normas é bastante complicada. Em último nível as autarquias serão as entidades responsáveis pelo destino final dos resíduos, e também por toda uma responsabilização social e de cidadania e respeito pela natureza.

Deste modo, gostaríamos de felicitar todos os membros da Associação Empreinte Positive que tomam a iniciativa de promover a recuperação destas zonas que têm um grande potencial para se transformarem em áreas de lazer verdadeiramente agradáveis para actividades como percursos pedestres, a cavalo ou de bicicleta, entre outras, devido às suas naturais características de elevada biodiversidade animal e vegetal.

E em jeito de conclusão gostaríamos de deixar um apelo à comunidade portuguesa no Luxemburgo e em França para que não participe destas práticas de incineração de resíduos ao ar livre, não despeje resíduos na natureza e, claro, que participe nas actividades da associação para tornar este zona onde vivemos mas agradável para todos os habitantes!!

Lara Aleluia & Maria Helena Novais

 


 

Traduction française

 

Permettez-nous de profiter de cette tribune pour témoigner en tant que citoyennes portugaises résidant depuis 3 années au Grand-Duché du Luxembourg. Nous avons appris par un collègue de travail (Sylvain, vice-président de l'association Empreinte Positive) qu'en France, à proximité de la frontière luxembourgeoise, des brûlages à l’air libre illégaux de déchets étaient pratiqués régulièrement et que des détritus étaient abandonnés dans la nature au lieu d'être déposés dans une déchèterie afin d’être traités de façon appropriée.

Nous avons été surprises et même choquées notamment parce qu'au Portugal, des pays comme la France et le Luxembourg sont montrés en exemple dans de nombreux domaines.

Malheureusement il semble que cela ne devrait pas être le cas puisque la loi (qui interdit le brûlage à l'air libre des déchets) n'est pas respectée par la population locale et que certains frontaliers franchissent la frontière pour y abandonner leurs déchets.

Cela nous a attristées d'apprendre par les membres de l'association qu'il s'agissait d'un problème récurrent, avec toutes les conséquences à plus ou moins long terme pour la santé publique (notamment décrite et expliquée dans l'article "Incinération et Risques Associés" disponible sur ce site).

Si une grande partie des ordures abandonnées en bord de route ont pu être ramassées par des bénévoles lors d'une opération de nettoyage, il reste beaucoup de déchets dans les fossés, difficilement accessibles.

Ce qui nous a le plus choquées, c'est l'apparente indifférence et l'inertie des autorités locales pour prévenir ou punir les fautifs.

Le problème des déchets est loin d'être «résolu», même si beaucoup a été fait au niveau européen par rapport à cette question. Chaque état membre a ainsi adopté une politique en matière de déchets et défini des objectifs. Ce sont les fonctionnaires des autorités compétentes qui doivent faire respecter ces lois. C’est le cas au Portugal.

Les déchets peuvent être réutilisés, recyclés, valorisés ou, en dernière option, enterrés et éliminés. Quoi qu'il en soit, la collecte des déchets n'est, en aucun cas, une problématique simple, et dépend avant tout des citoyens, de leurs valeurs et de leur état d'esprit. En cas de problème, ce sont les autorités locales qui sont les responsables et doivent prendre les mesures nécessaires en matière de sensibilisation à la citoyenneté et au respect de l'environnement.

Ainsi, nous tenons à féliciter tous les membres de l'Association Empreinte Positive pour leur travail de sensibilisation et de préservation de la nature, pour la valorisation de sites où la biodiversité floristique et faunistique est riche et pour la promotion de sentiers de randonnée pédestre, équestre et VTT.

En guise de conclusion, nous voudrions lancer un appel à la communauté portugaise résidant au Luxembourg et en France : ne participez pas à ces pratiques illégales d'incinération de déchets en plein air, ou de dépôts sauvages dans la nature, et bien sûr participez aux activités de l'association pour faire de notre région d'adoption un environnement agréable pour tous !

Lara Aleluia & Maria Helena Novais


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